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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

HORIZONTE

Poesia super nova, a primeira oficial de 2015, que marca meu recomeço no mundo da produção literal! :-)
Gostei bastante dela. Como sempre eram vários versos soltos e misturados, então em poucos dias eu adicionei e organizei as ideias.

"Pela manhã tudo é quente
O café, os raios de sol pelos cantos da cortina
O pão, o vapor de água nas plantas do quintal
Pela noite, no entanto, nada o é mais

Toda essa calmaria acompanha a lentidão dos dias
Onde tudo o que eu faço é pensar
Eu penso nas histórias que não ouvi
Nas promessas que nunca cumpri
Nos momentos que não vivi

O café o o pão já esfriaram
Enquanto eu me perco nas esquinas do tempo
Sacrificando meu tempo para lembrar quem eu sou
Aproveitando o vazio para me preencher de amor

De repente tudo some
Somos apenas eu e o abismo
E os pensamentos se mantem em círculos
Enquanto na minha frente não há nada além
Da linha reta do horizonte

O céu estrelado agora ilumina minha solidão
A vontade de não existir tira minha razão
Aquele dia que prometi que tudo iria mudar
Nunca irá chegar
Pois eu preciso mudar antes disso

Minha viagem até o horizonte começou
Quando eu quis saber além dele
Não sei até onde irei chegar
Porém aqui não quero mais estar

O horizonte é o abismo
Depois dele não sei o que existe
Depois dele não posso me salvar
Porém aqui atrás me sinto presa e amordaçada
Numa jornada que não pude explorar

Sei que a vida está logo ali
Há algo maior esperando além de mim

Me conte, horizonte
És um abismo ou és um monte?
Serás meu destino ou minha fonte?
Me conte
Horizonte"

Lisa Peixoto - 17/02/2015

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Falta

Falta amor
Falta água
Falta paciência
Falta coerência

Falta tempo
Falta espaço
Falta razão
Falta decisão

Falta coragem
Falta curiosidade
Falta confiança
Falta segurança

Falta criatividade
Falta gratidão
Falta natureza
Falta certeza

Confiança do ontem
Coragem do hoje
Certeza do amanhã

E tantas faltas vão preenchendo o mundo
Vão preenchendo e absurdo
Até quando não couber mais tanto nada
Até o nada virar tudo que existe

Até a própria existência faltar
Até tudo mesmo acabar
Nunca saberemos a verdade que nos espera
Pois nós nunca esperamos por ela

Enquanto tudo não for o bastante
E nos contentarmos com as faltas
Cheios de vazio e cegos de tanta luz

Exagerados na artificialidade
Porém no fundo ainda sedentos pelo essencial
O essencial está se perdendo
As máquinas tomarão nosso lugar

E tanta falta irá preencher o absurdo
Depois só seremos o nada
E lá fora ninguém sentirá nossa falta
Pois tudo que nos fazia existir já estava aqui


Lisa Peixoto - 20/02/2014

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Te Espero

A música toca
As pessoas passam
O sono aperta
A chuva desaba
E eu te espero aqui

Lembro de tudo que houve
Há tantas coisas para fazer
Tantos planos para realizar
Mas por enquanto apenas te espero

A distancia entre nós é cruel
E dias mais difíceis estão por vir
Poderia correr pra qualquer lugar
Poderia escolher não ficar
Mas agora prefiro te esperar

Perdida nesta espera
Eu tento te sentir mais perto
A luz da tua presença
Faz minha vida valer a pena

Separados ou juntos
Vamos suportar
Separados mas juntos
Vamos superar

O tempo já decidiu nosso destino
Sei que você ainda chegará
Ou então irei até você
Para nunca mais ter que esperar

Não importa como nos encontramos
Não importa para onde vamos
Separados deixamos tudo pior
Juntos fazemos essa história melhor

Lisa Peixoto para J. Nogueira - 05/02/2014

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Chama

A vida me chama
A chama da vida
Me chamo chama
Me chamo vida

A luz proclama
A luz duvida
A luz derrama
A luz revida

O sol aquece
A noite não esquece
Da luz que se apagou
Da vida que se inflamou
E de quem se chamou

A vida me chama
A chama é o sol
O sol é a luz
A luz é a vida
A vida sou eu

Eu sou a dúvida
Eu sou o esquecimento da noite
Eu sou a chama da escuridão
Eu sou o chamado da ilusão

Esqueço da luz
Quando a noite revida

Proclamo o flama
Permaneço unida
Me chamo chama
Me chamo vida

Lisa Peixoto - 27/01/2014


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Aleatório

Ficou nublado o dia todo
Depois de descansar a tarde
Já não sei se é dia ou noite
As cores estão tênues
E os sons brandos
As folhas das árvores não se movem
Somente a rede na varanda balança
Um pássaro pousa no fio do poste
Queria ser aquele animal voador
O balanço da rede está tão bom
Porém queria ir além e viajar alto
O sol está indeciso em aparecer
Minha mão está indecisa em escrever
Já sinto sono
Mas é como se acabasse de acordar
Me levanto e vou até a calçada
O vento agora bate forte
O pássaro fugiu em alerta
Por mais que eu pense que tudo vai melhorar
Lá vem outra tempestade
Enfim é hora de dormir
Amanhã enfrentarei outro dia
Pois tudo está aleatório e sem sentido
E eu continuei onde estava
Me molhei com a melhor chuva da minha vida
Amanhã o céu estará mais limpo
A grama mais verde
E os animais vão se reproduzir
Por mais que eu pense que tudo está ruim
O aleatório mudo o clima
E a tempestade ganha sentido

Lisa Peixoto - 07/01/2014

Estrela Fiel

Nas minhas noites mais solitárias
Você é a minha única companhia
Mesmo achando que você já morreu
Seu brilho permanece fiel a mim
E sua lembrança ainda me encanta
Neste imenso universo você parece igual as outras
Mas para mim és única e especial
Assim como eu
Você perdura na minha imaginação
Você sabe todos meus medos e segredos
Mas você está tão distante
Nunca saberei ao certo onde estás
Mesmo se eu seguir seus rastro
Posso já não encontrar nada
Mas a tua beleza é fiel a mim
A cada noite você se destaca na constelação
A cada dia você ilumina meu coração
Tão discreta e tão serena
Também desejo ser plena
Com este espaço infinito
Eu escolhe apenas a ti
E você também escolheu só a mim
Algum dia poderei me juntar a ti
Virarei poeira cósmica estelar
Ainda assim continuarei a te amar
Pois meu destino é fiel a ti


Lisa Peixoto – 07/01/2014

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Breve

“Ela não sabia o motivo, só sabia que não deveria desistir. Aquela experiencia havia feito dela uma pessoa melhor, mas ela só desejava esquecer tudo. O jardim parecia menos vivo sem ele ali. A breve relação com o bichano significou muito para ela. Mais do que a nova alegria da casa, ele havia se tornado uma nova motivação para ela viver. Ela sabia o quanto a vida selvagem era massacrada e desrespeitada lá fora, etão ela queria ao menos conservar uma parte dela em seu quintal. Deus sabia o quanto sua intenção era boa, mas não havia como fugir do destino e do acaso. A perda daquela vida era mais cruel que a própria tristeza em si.
A morte é tão comum e tão presente, porém nunca estamos preparadas para ela. Ela observava o bichano todos os dias desde então, insistia para alimentá-lo. Mas ele comia e bebia pouco, já aparentava doente. As vezes, porém, dava bons sinais de vitalidade, andando pelo quintal e correndo atras de quem passasse perto. Curiosidade e dedicação não faltavam na menina que o resgatara da rua. Ainda era um bichano jovem, ela já imaginava ele crescendo e planejava um bom futuro assim como uma mãe faz com um filho. Ela faria qualquer coisa para vê-lo saudável e salvo. No primeiro fim de semana do ano ele voltou a ficar mais calmo. A família saiu para almoçar como já de costume fazia todo domingo. Após dois dias chuvosos, estava bem ensolarado e quente. Quando chegaram no meio da tarde, encontraram o bichano morto. Não havia mais nada o que fazer. Tudo havia acabado ali. Decepção e saudade. Sem movimentos. Sem pensamentos. Silencio. Vazio. Adeus.”

Lisa Peixoto para Smaug - 06/01/2014

Estou de luto... :-(

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Subvida

Não aguento mais esta subvida
Nunca planejei este pesadelo
Onde sonhos são controlados
Onde horários são ordenados
Onde palavras são escolhidas
Onde memórias são amordaçadas
Toda esta censura inútil só causa mais rebeldia
Pois uma vez livre uma alma não se acostuma a restrição
E se isso acontecer
O instinto da liberdade continuará vivo
Todo ano é igual, só muda o calendário
A esperança se dispersa e faço aniversário
Algum dia a justiça acontecerá
E todo o medo que me consome me faz desejar ter outras vidas
Mas como eu posso me livrar de mim mesma
Sem morrer ou sem enlouquecer?
Um novo ciclo se inicia mas a aflição se acumula
No estado em que me encontro não posso fazer muita coisa
Sou um produto de fatos infortúnios
Nunca fiz nada profundo e pleno
Por isso acho que existo somente em parte
Esta é a minha subvida
E fugir dela é arriscar o pouco que tenho
Ou será que já tenho tudo?
Tentar mudar é como pular num abismo
De onde este sentimento de insatisfação veio?
Como este desejo de descoberta surgiu?
É fazendo perguntas que me sinto mais perto da verdade
Sei que esta condição nunca será o suficiente
Mas subviver por enquanto é o bastante


Lisa Peixoto – 03/01/2014

Música

A música viaja dentro de mim
E eu viajo dentro da música
Cada nota dá humor aos meus músculos
E o ritmo do meu coração é o maestro
Cada melodia tem sua cor e seu tom
Meu corpo e minha mente se sincronizam
Com cada batida do tempo e do espaço
Até no vácuo eu ouço música
Pois ela é surreal e onipresente
É onisciente e onipotente
A música é a trindade da alma humana
É a harmonia perfeita da natureza
Precisamos cantar para a vida
A música começa e termina
A música acalma e agita
A música é o melhor de todos nós
Enquanto houver música haverá bondade
Haverá esperança e criatividade
Cada canção do universo
Compõe a sinfonia da eternidade
A música nos trás memórias não vividas
E sentimentos não conhecidos
A música nos tira da agonia e nos faz refletir a vida
A história do mundo é escrita na música
A matéria e a energia vibram com a música
Mas a música é a própria vibração natural
Cada som é especial e quando se faz música
Tudo ganha um novo sentido e um novo humor
Portanto tudo é música, até mesmo o silencio
Existe música na vida e na morte
Por isso eu metabolizo a música
E a música me metaboliza de volta

Lisa Peixoto – 03/01/2014

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Retorno

"Quando o tempo regride
E os segundos se tornam horas
É o retorno da aurora após a escuridão
Do pecado após a salvação
Da serenidade após a confusão
Do estranho após a normalidade
Da limitação após a eternidade
Quando os pesadelos da infância voltam
Quando as memórias sem sentido reassumem
Quando as cores do passado se renovam
Quando os erram parecem mais certos
Quando o silencio supera o caos
Quando a curiosidade não mata, e sim liberta
Quando o vento leva o que nem ficou
Quando a noite não esconde a beleza do dia
Quando passos invisíveis se aproximam
Quando vozes inaudíveis se exterminam
Retorno ao impossível
E volto ao inexpressivo
Os limites de uma jornada são as curvas
Saibamos que sempre podemos escolher
Podemos retornar a qualquer momento
E retornos são rápidos ou são lentos
Daqui em diante não quero mais retornar
Deixei para trás tudo que me faz desconfiar
Pois na minha vida o melhor ainda está por vir
E me arrepender do que fiz não me leva a nada
Este retorno me trouxe de volta aonde nunca estive
Por isso posso afirmar que é assim que se vive
Agora que já retornei tudo o que pude
Posso avançar o máximo para que eu mude"

Lisa Peixoto - 10/12/2013

*última poesia do ano, que venha mais inspiração em 2014!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Profecia da Transformação

Eu acordo com um novo paradigma
Neste mesmo mundo de paradoxos
O meu ponto de mutação está marcado
O destino da humanidade está traçado
Pois o todo é maior que a soma das partes
Abandonamos o mecanicismo de Descartes
E descobrimos a dinâmica dos sistemas vivos
Sabemos então que a criação teve outro motivo
A vida sente a si mesma
E eu sinto a mudança acontecendo
Enquanto o relógio funciona
Há várias coisas vivendo e morrendo
A verdade se aproxima
Algo entre a fé e a ciência está aparecendo
Tudo flui dentro de outro fluxo
Pois a natureza nos prepara mais surpresas
Esta é a maior revelação de todos os tempos
A teia da vida é um contexto profundo
Quando penso no que acontece neste mundo
No que a sociedade se tornou?
Dominando tudo o que pode e não deve
Até as máquinas estão tomando nosso lugar
Não controlamos os ciclos naturais
A bússola do destino aponta para outra direção
Agora proclamo minha profecia de transformação
Temos que voltar as origens
Para prevenir novos desastres
Pois o planeta tem seus limites
Cada um de nós vive dentro do outro
E toda a natureza vive dentro de nós
A matéria e a energia são uma coisa somente
Assim como o corpo trabalha junto da mente
E a mente do universo é o corpo de Deus
Profetizo a vitória da verdade e da plenitude
Que venha a era da harmonia e da virtude


Lisa Peixoto - 20/11/2013

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Imperfeição

Olho no espelho e não me reconheço
Permaneci a mesma por tantos anos
Mas agora pareço outra pessoa
Será que nunca vi a mim mesma?
A identidade me pesa
A idêntica idade me cega
Sou mesmo imperfeita
Pois há coisas que o tempo não pode mudar
Eu abandonei a aparência
Para ver minha própria alma agora
Percebo que a vida já passou
E que mudei todos os dias através dela
Me arrependo de tudo que não sou
Mas esta imperfeição me satisfaz
Eu sou apenas tudo o que tenho
Pois não tenho todo o tempo do mundo
Só tenho minha breve existência a aproveitar
Sem nenhuma máscara
Eu encaro a mim mesma
Sou a única verdade que conheço
Porque sinto que estou realmente viva
E pra mim isso já basta
Minha imagem é a ilusão mais bonita
Minha imperfeição é a verdade mais pura
E este espelho é a barreira mais difícil
Não tenho memórias de outras vidas
Desejaria muito recomeçar
Mas meu verdadeiro caminho começa agora
Que garantia eu tenho de continuar?
Viva ou morta tenho que perseverar
Este é outro passo da minha trajetória
Esta é outra página da minha história

Lisa Peixoto - 05/11/2013

*uma reflexão depois do meu aniversário

domingo, 27 de outubro de 2013

Amor Experimental

O que fiz para te merecer?
A ideia de ti me acalma em meio ao caos
Me toque para saber o que penso
você não foi o primeiro e nem será o último
Mas agora é o único que acontece
Te experimento por meio de teorias
Porém não me atrevo a te provar por métodos
Você é a mais bela das minhas hipóteses
Porém é o mais perigoso dos meus paradoxos
Você é a certeza que me trás dúvidas
E a constante que me faz oscilar
Minha mente não mente
É hora de me livrar deste trabalho
Por pouco não descubro a verdade
Mas meu ego não se satisfaz
Então volto a te experimentar
Sou vítima da minha própria observação
E tudo permanece uma incógnita no meu coração
Quem é você realmente?
Que interpretações fiz para te amar?
Você não me dá reflexões
Por isso não irei elaborar conclusões
Só irei medir as alucinações
Acho que esse sentimento é uma grande falácia
E tua presença é um dogma essencial
Assim eu faço a minha ciência
Com este objeto de pesquisa anormal
Produto de um amor experimental

Lisa Peixoto - 24/10/2013
 

Homenagem

Tua face em preto e branco me mostra todas as cores de tua alma
Teu silencio me canta todas as melodias do tempo
Teu sorriso cala todos os sentimentos de tristeza e solidão
Tua presença energiza todas as correntes de imaginação
Teu beijo cura tudo que possa ser ameaça
Quando estava de olhos abertos eu nada vi
Mas quando fechei-os me mantive esperto para te ouvir
De todos os perdões que pedi
Foram todas as chances que perdi
Porém nada supera minha vontade de te fazer feliz
Só quero homenagear a força do nosso amor
Porque nada além disso tem valor
Se não entendes a origem do meu temor
O tempo nos ajuda a ser mais fortes
E meu coração ressonante precisa se harmonizar com o teu
Não precisamos de opiniões alheias
Pois nossas escolhas já estão satisfeitas
Porém nada que eu faça será um dia o bastante
Para retribuir toda a felicidade que me dás
Sei que mudar é difícil
Mas sou influenciada por ti todos os dias
E eu já não sou a mesma depois de te conhecer
Nós já temos tudo, temos um ao outro

Lisa Peixoto - 25/10/2013

domingo, 22 de setembro de 2013

Vaidade Passageira

Sou um propósito sem motivo
Sou um estereótipo exclusivo
Não penso nada por si só
Pois os poetas só existem devido as reflexões do mundo
As perguntas vem para mostrar
Que o caos vem para ficar
A chuva vem para queimar
A paz vem para guerrear
E o eterno vem para passar
O vazio vem para recompensar
A dúvida vem para solucionar
A liberdade vem para aprisionar
O destino vem para matar
E o fim vem para recomeçar
Toda a vaidade é passageira
Assim como a sociedade inteira
Então me vista com livros
Me maquie com sabedoria
Me enfeite com conhecimento
Pois tudo de belo fora de mim se esvairá
A beleza que cuidarei será de ideias interiores
E mesmo que eu venha a me esquecer
E morrer com a naturalidade do tempo
Já terei escrito o suficiente
Para permanecer viva na alma da natureza
E na mente do universo

Lisa Peixoto - 20/09/2013

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Salvação

Somos todos iguais, somos todos reais
Somos os anjos e demônios deste mundo
Somos espírito e somos carne
Somos guerra ou paz de acordo com as ordens
Não temos vergonha alguma
Jogamos esse jogo como donos do juízo final
Pois vivemos e morremos somente para achar um jeito de viver de novo
Estamos esperando somente um sinal
O desespero já se tornou tão normal
É hora de sermos livres afinal
Cada passo ao nosso redor, nós procuramos por perfeição
Enquanto invejamos um ao outro , perdemos nossa própria direção
Mas no meio do caminho nós mudamos tudo e tudo continua sem perdão
Perdemos o equilíbrio e tentamos recomeçar
Porém já estamos em contagem regressiva
O controle já não nos pertence mais
Numa eterna busca por salvação
Aprendemos finalmente alguma lição
Porque já estamos todos mortos
Num mundo de idealismos tortos
E quanto mais desejamos a integridade
Mais distorcemos a própria realidade
Criamos tudo e ao mesmo tempo nada
Loucos para obedecermos a lei errada
Mas os ciclos estão se fechando um por um
Nosso destino está programado a lugar nenhum

Lisa Peixoto – 17/09/2013

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Origem

Da inspiração se faz o pensamento
De pensamentos se faz a imaginação
Da imaginação se faz a realidade
Da realidade se fazem os sonhos
Contrários a atual situação
Da situação vem a intolerância
Da intolerância vem os questionamentos
Dos questionamentos vem as respostas
Das respostas vem o colapso
Do colapso vem a esperança
Da esperança vem a arte
Da arte vem a liberdade
Da liberdade vem o destino
Do destino vem o caminho
Do caminho vem a distancia
Da distancia vem o tempo
Do tempo vem a saudade
Da saudade vem a lembrança
De um inesquecível momento
E de momentos se faz uma vida
Da vida se faz a morte
Da morte se faz outra saudade
De um novo amor se faz a sorte
De bons momentos se faz a eternidade
Da eternidade se fazem os limites
Dos limites se fazem as conexões
Das conexões surgem as chances
Das chances surgem as criações
Das criações surgem os exemplos
E dos exemplos surgem mais inspirações


Lisa Peixoto – 10/08/2013

Dualidade

Por que pureza rima com tristeza?
Poesia com agonia?
Coração com ilusão?
Felicidade com hostilidade?
Porém rima com também
Pureza rima com certeza
Poesia com alegria
Coração com ascensão
Felicidade com vitalidade
Há dualidade entre algumas palavras
Opostas e ao mesmo tempo semelhantes
Significado e estética são ambos importantes
Eu escolho aquilo que me convém no momento
Mas nunca descarto as outras combinações
Pois as palavras podem ser armadilhas gramaticais
Ou simplesmente confusões emocionais
Não há nenhuma regra a seguir
Exceto aquelas que já existem
Quando o acaso me faz produzir
A beleza e a liberdade ainda persistem
Se eu parar de escrever deixarei de viver
Mas as palavras continuarão a aparecer
E mesmo se a humanidade se calar
O papel e a caneta falarão em nosso lugar

Lisa Peixoto - 07/08/2013

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Vagarosa

Há coisa pior do que acordar cedo e não ter nada para fazer?
Há coisa melhor do que despertar de um pesadelo cotidiano?
Enquanto os outros dormem, eu já estou ativa
Escrevendo na sombra de uma árvore ao som do canto dos pássaros
As primeiras cores do dia são fantásticas
Os primeiros raios de sol são curativos
É um tédio tão maravilhoso
Sair da rotina e construir uma nova sinfonia
Vagarosamente eu vou acordando para uma nova vida
Mas toda utopia é passageira
Logo os outros também acordarão
Então vejo que o mundo ainda é o mesmo
Minhas ideias ainda estão se pondo no lugar
Vagarosamente eu começo a respirar o mesmo ar poluído
A ver as mesmas ruas sujas
A ouvir as mesmices saindo das bocas das mesmas pessoas
Vagarosamente o transito anda
Os pássaros se calam
O ar se aquieta
A sinfonia termina
Os raios de sol queimam
Vagarosamente o sono me domina
Mas tenho que cumprir as mesmas obrigações da rotina
Então logo o sonho se vai e os limites permanecem
Sei que neste mundo louca ainda vale a pena sonhar
Logo todos continuam a procurar sua vaga de ofício
A buscar funcionários que sejam simples trabalhadores
Mas na minha utopia há uma placa que diz
"Precisa-se de sonhadores"



Lisa Peixoto - 25/07/2013
 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Dedicatória

Ao meu espírito ígneo e a luz imortal
A cada professor que acompanhou minha aprendizagem
Desde o jardim de infância até a presente graduação
Aos colegas e companheiros da universidade e da vida
Com os quais compartilhei momentos inesquecíveis
A todos os meus amores passados, presentes e futuros
Com os quais aprendi a ser feliz comigo mesma
Aos pássaros e insetos do meu quintal
Os quais gastei horas e horas observando
A cada formiga, a cada árvore, a cada floco de neve que está para sumir
Na minha esperança de que devam continuar existindo
A cada nuvem, a cada estrela, a cada arco-íris que já comtemplei
A cada banho de chuva e de mar, a cada estrada por qual já passei
A todos os meus esforços gratificados e recompensados
A todas as coisas que já descobri e aquelas que ainda descobrirei
A cada ideia que meu coração já deu
A cada sentimento que minha mente já interpretou
Aos filhos dos outros como sendo meus
As crianças nas ruas e nos hospitais, cujos sonhos estão ameaçados
Aos pescadores e agricultores com suas sabedorias únicas
Aos jovens e anciãos, cujos ambos extremos da vida possuem sua própria beleza
Aos criacionistas e evolucionistas, que mesmo em discórdia esperam por uma mesma salvação
Aos poetas e aos cientistas, cujas artes sempre deverão ser lembradas
A todos que fazem sua parte para melhorar o mundo
Ao desejo da liberdade, ao caos da política, ao ego da tirania
A cada vida perdida em vão
A cada música tocada no fundo da alma
A cada momento de respeitoso silencio
A cada melodia criada para a paz
A fé sem preconceitos, aos rituais imperfeitos
Aos sonhos perdidos, aos clamores nunca ouvidos
Aos valores perdidos da humanidade
A inocência desperdiçada durante o medo
A luz do sol que desencadeia a produção de energia vital
A fúria dos céus que cai sobre o solo infértil
As flores que ainda estão para brotar, as quais trarão as cores e os aromas de um novo mundo
Ao curso dos rios, cujo fim sempre leva a um novo começo
As ideias do futuro e as memórias do passado
A coragem de viver e ao respeito a natureza
E a imaginação dos sonhadores que salva o mundo todos os dias

Lisa Peixoto - 09/07/2013